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Como os futuristas veem o trabalho da TI evoluindo nos próximos 10 anos?#

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Prever o futuro do trabalho pode ser arriscado, principalmente com o avanço das tecnologias. Mas para quem ganha a vida estimando as tendências, alguns assuntos já fazem parte das expectativas para a próxima década - começando com o impacto da inteligência artificial (IA) e da automação.

"Nos próximos dez a 15 anos, a adoção de tecnologias de automação e IA transformará o ambiente de trabalho à medida que as pessoas interagem cada vez mais com máquinas mais inteligentes”, afirmam pesquisadores da consultoria McKinsey & Co. no estudo "Skill shift: Automation and the future of the workforce”. "A demanda por habilidades cognitivas mais elevadas, como criatividade, pensamento crítico, tomada de decisões e processamento complexo de informações, crescerá até 2030.”

Apesar de trabalhadores de diversos setores demonstrarem preocupação sobre o impacto da automação nas suas carreiras, os especialistas em prognósticos oferecem uma visão mais otimista para os seres humanos. De acordo com as análises de tendências, tarefas de controle básico serão transferidas para as máquinas, incluindo as tomadas de decisão, mas as funções que necessitam da contribuição da inteligência humana, resolução de problemas e empreendedorismo não sofrerão com as mudanças.



Surgimento de equipes independentes


O Gartner divulgou diversos relatórios sobre como a TI evoluirá até 2035. Uma das principais conclusões é que a maior parte do trabalho será realizada por equipes independentes, ad-hoc, ou seja, para fins específicos visando atingir os objetivos dos negócios.

Em seu relatório sobre o ambiente de trabalho em 2028, a companhia descreve a presença de grupos autônomos compostos por talentos de alto desempenho e habilidades diversificadas. Segundo os analistas do Gartner, esses times devem crescer e diminuir conforme a demanda, respondendo a mudanças na carga de trabalho, prazos e fluxos. Caso seja concretizado, o futuro da TI será marcado por equipes multifuncionais como fórmula para o sucesso dos negócios.

Fim da média gerência

Talvez a previsão mais impressionante do Gartner, que está ligada ao ideal de equipes independentes, seja a futura confiança de que algoritmos reduzirão drasticamente o número de gerentes de nível médio - deixando os demais com responsabilidades mais específicas.

"Primeiramente, isso surgirá como uma forma de aumentar a eficiência e reduzir custos em muitos locais de trabalho”, diz Helen Poitevin, vice-presidente de pesquisa do Gartner. "Estou pensando em algumas partes do setor de varejo onde o grau de automação em logística, cadeia de suprimentos e armazenamento já levou o gerente de linha a um tipo diferente de função. Eu diria o mesmo para setores altamente criativos em que ter a gerência intermediária desempenhando um papel de supervisão muito restrito impede a criatividade das equipes e a capacidade dos times de utilizar a expertise interdisciplinar em outras partes da organização”, acrescenta.

Chegada de algoritmos como chefes

Se a ideia de gerenciamento com base em máquinas parece improvável, é importante considerar que milhões de motoristas da Uber e Lyft já são comandados por algoritmos.

Em 2015, um grupo de cientistas da computação que estuda a interação homem-máquina na Carnegie Mellon explorou como os trabalhadores reagem quando os computadores, e não os gerentes de nível médio, solicitam trabalho, estabelecem custos e avaliam o desempenho.

Segundo os resultados, os pesquisadores ficaram surpresos com a facilidade com que os seres humanos aceitavam as orientações da um algoritmo, e também com a rapidez de adaptação ao trabalho. No estudo, os motoristas desligavam o aplicativo para dar às máquinas o controle sobre quando e onde iriam trabalhar ou pausar depois de longas viagens.

Laura Dabbish, professora associada de ciência da computação na Carnegie Mellon e colaboradora do estudo, relata que os motoristas não parecem se importar com uma certa falta de escolha. "Isso pode ser porque a liberdade que eles têm compensa a falta de controle", hipotetiza Dabbish. "Também pode ser porque alguns motoristas não têm experiência com outros sistemas.”

Conforme os motoristas se tornam mais experientes com os aplicativos, eles continuaram a ajustar suas estratégias de trabalho. "Temos a percepção de que os algoritmos - e muitas vezes a tecnologia em geral - otimizam o comportamento humano, mas negligenciam a medida em que as pessoas ajustam e adaptam seu comportamento diante da tecnologia”, completa a especialista.



Parceria com IA


Zorawar Biri Singh, investidor e consultor do Vale do Silício, diz que a próxima década da TI será a "era da cognição compartilhada”, impulsionada pela crescente adoção da tecnologia cognitiva, preocupações contínuas sobre a escassez de talento humano e a necessidade de parceria entre seres humanos e máquinas.

"Estamos na fase seguinte, essencialmente onde os seres humanos vão se associar a máquinas e algoritmos e sistemas, sistemas cognitivos e compartilhar cognição humana com sistemas de treinamento para poder facilitar o trabalho”, explica.

Singh também fala sobre o que considera os seis estágios da evolução da TI, começando com mainframes, migrando para PCs e redes, seguido pela web e servidores, virtualização, mobilidade e nuvem, e agora uma combinação de IA, robótica, IoT e edge computing - Um estágio que ele acredita ser desenvolvido de forma intensa na próxima década ou ainda mais tarde.

Um recente relatório da Forrester também enfatiza a fusão de seres humanos e máquinas no trabalho durante a próxima década. "A maneira como fazemos o trabalho já mudou significativamente", afirma o documento. "A diferença no futuro é que as mudanças medidas em décadas serão agora medidas em anos e meses. O trabalho dependerá de uma relação simbiótica entre homem e máquina. Essa não é uma estrutura dirigida pelo ser humano ou pelo computador; em vez disso, serão combinadas tarefas de liderança, decisão e execução entre robôs e seres humanos que melhor entregarem os resultados desejados.”

Valores humanos

Independentemente de os computadores eliminarem grandes setores de trabalhos repetitivos, como o processamento de dados de rotina e as funções superficiais de gerenciamento intermediário, parece haver um amplo consenso sobre quais tarefas continuarão nas mãos dos seres humanos.

"Há muitos aspectos de gerenciamento que a inteligência das máquinas ainda não pode realizar”, revela Dabbish, da Carnegie Mellon. "Há um aspecto emocional e relacional de gerenciamento necessário para se trabalhar com outras pessoas, motivando-as e lidando com situações difíceis. A inteligência emocional é necessária para falar com um funcionário e entender como ele está, no que está interessado e empenhado e fornecer feedback sobre o seu trabalho. A tecnologia está ficando muito melhor em sentir o estado emocional humano, entender a linguagem humana natural e continuar com alguma forma de conversa, mas ainda estamos longe de substituir os aspectos mais relacionais da administração. Além disso, recompensas e elogios de um aplicativo não são tão significativos quanto uma interação humana mais direta."

Singh aponta ainda para o trabalho cognitivo profundo como um ambiente em que os seres humanos serão valorizados no futuro, independentemente do poder das máquinas. Além disso, a maioria das organizações não terá os recursos e conjuntos de dados necessários para eliminar a média gerência.

Dabbish fala sobre elementos de trabalho que não podem ser quantificados ou medidos. Refletindo sobre os exemplos da Uber e da Lyft, a especialista acredita que um algoritmo pode gerenciar facilmente um sistema de classificação, mas deixa muito a desejar na avaliação sobre como uma pessoa lida com o seu trabalho.

"Essas medidas numéricas de qualidade de serviço não descrevem em quais elementos do trabalho um motorista é bom e não fornecem feedback que os ajuda a melhorar com o tempo", defende Dabbish. "Em nossos estudos, os motoristas sentiram uma grande pressão para manter suas classificações de avaliação, tendo resposta emocional negativa a uma avaliação ruim, o que poderia influenciar desproporcionalmente sua pontuação geral."

Estresse induzido pela tecnologia

Outra das previsões do Gartner é que o aumento da dependência da tecnologia resultará em estresse em trabalhadores que se sentem continuamente conectados às suas funções. Também impulsionando a tensão estará a pressão constante para se manter no topo das mais recentes tecnologias: "Para melhorar nossa qualificação e dar conta de maiores atribuições, vamos trabalhar mais a um ponto em que nos sentiremos como se estivéssemos trabalhando 24/7.”

O relatório da Forrester observa que os trabalhadores de hoje já estão preocupados com o futuro e com a sua adaptação às novas tecnologias. "Por mais que as empresas devam se tornar locais de aprendizado, os funcionários devem investir em aprender habilidades básicas, adaptando-se a novos modelos de trabalho e entendendo o que significa estar pronto e apto para o futuro. Os trabalhadores já lutam contra a mudança e a necessidade constante de reavaliar e construir novas habilidades para acompanhar o mercado.”

De acordo com o relatório da McKinsey, "até 2030, o tempo gasto com o uso de habilidades tecnológicas avançadas aumentará em 50% nos Estados Unidos e em 41% na Europa.

Esperamos o aumento mais rápido na necessidade de habilidades avançadas de TI e programação, que poderiam crescer até 90% entre 2016 e 2030. As pessoas com essas capacidades serão inevitavelmente minoria. No entanto, há também uma necessidade significativa de que todos desenvolvam habilidades digitais básicas para a nova era da automação."

Então, como responderemos a essas tensões impulsionadas pela tecnologia e a necessidade constante de aprimoramento dos colaboradores? Poitevin, do Gartner, sugere que é preciso ter um olhar mais amplo sobre as novas tecnologias para avaliar o impacto.

"Primeiro, concentre-se na adaptabilidade”, diz Poitevin. "Os humanos são altamente adaptáveis ​​como espécie. Essa qualidade e a capacidade de aprender são importantes. Em segundo lugar, precisamos usar uma lente grande ao avaliar o impacto da tecnologia. Precisamos ter como objetivo projetar casos de uso e maneiras de usar tecnologias que melhorem nossas vidas em vez de trazer perigo. Por exemplo, os plásticos nem sempre foram ruins em termos de ajudar as pessoas - na área de saúde, pessoas com deficiências, no acesso a alimentos, etc. Mas não tínhamos pensado o suficiente nas implicações ambientais e não havíamos estabelecido infraestrutura suficiente para o ciclo de vida completo do produto de plástico, incluindo a reutilização. Essa é a minha maneira de dizer que a automação não é algo que devemos ver como uma ameaça aos seres humanos. Os humanos devem procurar a automação para buscar novas maneiras de executar suas atividades."

Fonte:https://cio.com.br/como-os-futuristas-veem-o-trabalho-da-ti-evoluindo-nos-proximos-10-anos/